Guia vira ‘caça-fantasma’ para combater coronavírus em favela

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Quando os turistas que Thiago Firmino costumava conduzir pelas vielas da favela Santa Marta sumiram devido ao coronavírus, o guia de 39 anos sabia que a espera pelo poder público poderia ser longa demais e era preciso agir por conta própria.

Atento ao noticiário sobre o avanço da pandemia, ele reuniu moradores e lançou uma iniciativa para higienizar a favela, uma das mais de 700 comunidades da cidade, onde moram mais de 2 milhões de pessoas muitas vezes sem condições adequadas de higiene e com dificuldade de se manter em isolamento.

Vestido de “caça-fantasma”, como apelidou o traje de proteção comprado em uma loja de produtos agropecuários graças a doações, Firmino agora passa os dias despejando desinfetante pela comunidade, que serviu de cenário para um clipe de Michael Jackson e tem como ponto turistico uma estátua do cantor norte-americano.

“A gente teve essa atitude brava, para não dizer heróica”, disse Firmino à Reuters, em uma pausa do trabalho de higienização de becos, vielas, maçanetas de casas e portões da comunidade realizado na tentativa de impedir a chegada da Covid-19.

“A favela sempre fica esquecida, qualquer coisa que acontece na cidade, a favela sempre é a última a receber benefício. A saúde é precária, a questão da saneamento e do lixo também é muito precária”, acrescentou Firmino, que trabalha com mais seis moradores na higienização.

De acordo com Wilcieide Miranda, mulher de Firmino que também participa da higienização, até o momento não foi identificado nenhum caso de Covid-19 no Santa Marta, onde moram cerca de 4.000 pessoas.