Covid-19 completa 6 meses com Brasil como uma das “ameaças globais”

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Na próxima semana, o mundo completa seis meses de uma crise sanitária inédita, que abalou sociedades em todo o planeta e, como citou a ONU, virou o mundo de “cabeça para baixo”.

A pandemia, porém, não dá sinais de perder força e, na próxima semana, o número de 10 milhões de casos será atingido. Se foram necessários dois meses para que os cem mil primeiros casos fossem registrados, hoje essa marca é atingida diariamente. Por semana, quase um milhão de novos contaminados são somados. Mas meio ano depois do primeiro alerta oficial da China, em 31 de dezembro de 2019, e meses depois da emergência global declarada pela OMS no final de janeiro, é a situação no Brasil que ocupa em grande parte o centro das atenções nos debates a portas fechadas em Genebra. Com 200 milhões de habitantes e sem controle, o país é avaliado por parte dos especialistas como uma “ameaça global” na luta contra a pandemia, ao lado dos EUA.

De uma forma geral e contando desde os primeiros casos, o Brasil aparece na segunda posição em termos de mortes e casos. Mas, para os especialistas, não é o número acumulado desde o começo da crise que confere uma fotografia mais útil da situação. Dados oficiais da UE indicam que, nos últimos 30 dias, o Brasil liderou no registro de novos casos, com 863 mil, quase cem mil acima do segundo colocado, os EUA.

Em termos de mortes, o país também ocupa o primeiro lugar no último mês, com um total de 30,6 mil. Nos últimos sete dias, o Brasil ainda lidera o mundo em termos de mortes e de novos casos, segundo os dados da OMS. Em 14 dias, período de incubação do vírus, o Brasil também ocupa o primeiro lugar. Foram 441 mil casos neste período, 20% de todos os casos no mundo. Mas não é apenas o número elevado que preocupa. Para as agências internacionais, não existe hoje no Brasil um plano claro de como sair da crise, a fatiga da população sobre a quarentena torna a medida cada vez mais frágil, o pacote de ajuda econômica do governo mostra limites sérios e não há um aumento suficiente no número de testes.